Le Monde des Religions, março-abril de 2007 —

A pesquisa da CSA sobre os católicos franceses, publicada na nossa última edição e divulgada por mais de 200 meios de comunicação, teve um impacto considerável e gerou inúmeras reações na França e no exterior. Até o Vaticano, por meio do Cardeal Poupard, reagiu, denunciando o "analfabetismo religioso" dos franceses. Gostaria de revisitar algumas dessas reações.

Membros da Igreja apontaram, com razão, que a queda drástica no número de franceses que se identificam como católicos (51% em comparação com 63% em pesquisas recentes) se deve principalmente à formulação da pergunta: "Qual é a sua religião, se você tem alguma?", em vez da mais comum: "A qual religião você pertence?". Esta última formulação sugere um senso de pertencimento sociológico: "Sou católico porque fui batizado". A formulação que adotamos pareceu muito mais relevante para medir a adesão pessoal, ao mesmo tempo que deixa mais espaço para a possibilidade de se declarar "sem religião". É bastante claro, como tenho enfatizado repetidamente desde a publicação desta pesquisa, que há mais pessoas batizadas do que aquelas que se identificam como católicas. Uma pesquisa com uma formulação mais tradicional provavelmente apresentaria números diferentes. Mas o que é mais importante saber? O número de pessoas criadas no catolicismo ou o número daquelas que se consideram católicas hoje? A forma como a pergunta é feita não é o único fator que influencia os números obtidos. Henri Tincq nos lembra que, em 1994, o instituto CSA fez, para uma pesquisa publicada no Le Monde, exatamente a mesma pergunta que fez para a pesquisa publicada em 2007 no Le Monde des Religions: 67% dos franceses disseram então ser católicos, o que demonstra o acentuado declínio ocorrido em doze anos.

Muitos católicos — clérigos e leigos — também se sentiram desanimados com o declínio da fé na França, como evidenciado por uma série de estatísticas: entre aqueles que se identificam como católicos, apenas uma minoria permanece verdadeiramente comprometida com a fé. Não posso deixar de situar esta pesquisa no contexto do recente falecimento de dois grandes fiéis, a dominicana Marie-Dominique Philippe e o Abade Pierre (1), que eram verdadeiros amigos.

Essas duas figuras católicas, de origens tão diferentes, essencialmente me disseram a mesma coisa: o declínio secular do catolicismo como religião dominante poderia ser uma verdadeira oportunidade para a mensagem do Evangelho; ela poderia ser redescoberta de uma forma mais autêntica, mais pessoal, mais vivida. Aos olhos do Abade Pierre, alguns poucos "crentes fervorosos" eram preferíveis a uma massa de crentes mornos cujas ações contradiziam o poder da mensagem cristã. O Padre Philippe acreditava que a Igreja, seguindo o exemplo de Cristo, precisava experimentar a paixão da Sexta-feira Santa e o luto silencioso do Sábado Santo antes de passar pela profunda transformação do Domingo de Páscoa. Esses crentes devotos não se deixavam abater pelo declínio da fé. Pelo contrário, viam nele as possíveis sementes de uma grande renovação, um importante evento espiritual, que poria fim a mais de dezessete séculos de confusão entre fé e política que distorceram a mensagem de Jesus: "Este é o meu novo mandamento: Amem-se uns aos outros como eu os amei". Como disse o teólogo Urs von Balthazar: "Só o amor é digno da fé". Isso explica a fabulosa popularidade do Abade Pierre e mostra que os franceses, mesmo que não se considerem católicos, permanecem extraordinariamente sensíveis à mensagem fundamental dos Evangelhos.